Designer cria série pintando de preto a pele de personalidades e nos questiona: E se?

031005 What If Carmen Miranda - Henrique Steyer (GG)

What If? Carmen Miranda – Henrique Steyer

Por que existem tão poucos negros ocupando posição de poder em nossa sociedade? E se nossas principais referências fossem negras?  Foram estes questionamentos que inspiraram o designer Henrique Steyer a criar a série What if? (E se? Em tradução literal). As obras apresentam personalidades, artistas e chefes de estado brancos, com a pele pintada de preto.

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Matias e o boneco Finn/ Reprodução internet

A série nos impressiona pela originalidade e beleza estética, mas sobretudo nos convida a pensar: e se todos os padrões de beleza que costumamos reconhecer na verdade não existissem?

031018 What If Wonder Woman - Henrique Steyer (GG)

What if? Wonder Woman – Henrique Steyer

Um exemplo da importância de toda pessoa se sentir representada aconteceu no início deste ano, quando a historiadora Jaciana Melquiades comoveu as redes sociais ao postar a foto de seu filho Matias, de apenas 4 anos, ao lado do boneco Finn, de Star Wars – O despertar da força. O boneco – representação do personagem negro – fez com que o menino se espelhasse, mesmo ser ter assistido ao filme.

E é exatamente sobre essa representatividade que trata What If? Quando nos mostra, por exemplo, a mulher maravilha negra, a série sugere que a cor de pele não deve ser um requisito para que as pessoas – sobretudo crianças e jovens em formação de identidade – sintam-se belas e representadas.  A carência de personalidades negras em cargos de destaque, principalmente na política, nas artes e na mídia, faz com que nos acostumemos com um padrão que na verdade não existe ou não deveria existir.

031012 What If Superman - Henrique Steyer (GG)

What if? Superman – Henrique Steyer

A ideia para a série What If? surgiu quando Henrique estava em um éden natural banhado pelo mar do Caribe, na República Dominicana. Hospedado em um resort que recebe visitantes de todos os cantos do mundo, ele começou a prestar atenção no Royal Service do lugar, onde uma casta abonada de brancos era servida incansavelmente por uma equipe de negros, muitos deles oriundos do Haiti ou de países africanos. A situação se tornou desconfortável quando percebeu que alguns desses brancos endinheirados tratavam os funcionários do local como se fossem robôs, maquinas de servir.

A partir de então Henrique começou a se questionar: em que ponto de nossa história antiga se estabeleceu que havia uma raça superior à outra? Que espinho é esse cravado em nossa sociedade que até hoje não foi arrancado?

“Negros podem alisar os cabelos, pintar de loiro, usar lente de contato…tudo porque a mídia e a indústria fazem parar interessante ser branco. E o processo inverso? Como funcionaria? Não há nada de degradante nisso. Uma ferida aberta na história da humanidade que parece não cicatrizar. Um assunto tão ultrapassado e que ainda persiste, comprovando o quanto ainda somos primitivos e me fazendo, por vezes, ter vergonha do mundo em que vivemos”, diz Henrique.

E completa: “Infelizmente, nossa cultura ainda acha bonito ser branco e caucasiano. O negro continua associado ao período escravagista e cabe a nossa geração mudar isso. Urgentemente”.

Steve McCurry e a Menina Afegã (1984)

a-menina-afegãCom a imagem que ficou conhecida como “A menina afegã”, o fotógrafo americano Steve McCurry elevou a fotografia a seu ponto auge: transformou um rosto desconhecido em familiar. Deu voz, contexto e notoriedade para todo um povo através de uma única imagem. A foto tornou-se um símbolo do conflito afegão e da situação dos refugiados ao redor do mundo.

Mesmo que você tenha visto apenas uma vez a fotografia de McCurry, o olhar da menina afegã, provavelmente, tornou-se familiar e ficou guardado em sua memória.

Durante a guerra soviética no Afeganistão, muitos órfãos tiveram que migrar para um campo de refugiados no Paquistão. Entre eles, estava Sharbat Gula, de aproximadamente 12 anos.

McCurry foi um dos fotojornalistas enviados para cobrir o conflito da região. Diante da rara oportunidade de fotografar mulheres afegãs, ele registrou o retrato de uma jovem com olhos de um verde marcante: Sharbat Gula.

Gula ficou órfã durante o bombardeio da União Soviética no Afeganistão e foi então enviada ao campo de refugiados Nasir Bagh, em 1984, ano que a fotografia foi tirada. A imagem foi capa da edição de junho de 1985 da National Geographic e se tornou a fotografia mais famosa da história da revista.

Espantosamente, a identidade da garota fotografada permaneceu anônima por quase vinte anos, quando finalmente uma equipe da NatGeo iniciou uma busca e reencontraram Gula.

A confirmação da identidade proporcionou um encontro entre ela e McCurry, que fez o seu retrato mais uma vez. Foi a primeira vez que Gula visualizou sua imagem fotografada. A afegã já estava com mais de 30 anos.

Em entrevista para a National Geographic, McCurry falou da foto que o tornou conhecido no mundo todo:

“Nunca decidi ser um fotografo de guerra, mas tenho enorme interesse no modo como os conflitos afetam as pessoas. Não importa o lugar, nossa reação é a mesma: sempre somos capazes de nos recuperar. Está na natureza humana seguir em frente. Não há como prever uma foto assim. Às vezes a gente trabalha um mês inteiro e não consegue nada. Mesmo depois de tanto tempo de profissão, ainda não sei como captar uma imagem que fique gravada na memória coletiva. Tudo o que faço é seguir minha intuição.”

Morte de um Miliciano – Robert Capa

morte-de-um-miliciano“Se tua foto não está boa é porque você não está perto o suficiente” (Robert Capa)

Robert Capa é um dos fotógrafos de maior importância da história. Nascido em Budapeste em 1913, consolidou sua carreira como célebre fotojornalista de conflitos armados na primeira metade do século XX.

Endre Friedmann, seu nome de batismo, se transformou em Robert Capa após se mudar de Budapeste para Paris e passar por dificuldades financeiras. Decidiu então que um nome norte-americano o ajudaria a conseguir melhores pagamentos para suas fotografias.

Capa foi o responsável pela criação do imaginário visual da guerra na sociedade e tornou-se a personificação do fotojornalismo, com imagens que misturam a crueldade dos conflitos com o fascínio de poder contemplá-las. Conhecido principalmente por colocar sua própria vida em risco para estar o mais próximo possível dos acontecimentos, Capa cobriu, entre tantas, a Segunda Guerra Mundial e suas imagens, feitas na batalha da praia de Ohama, serviram de base para a reconstrução do filme O resgate do soldado Ryan.

Mas, entre tantas coberturas de guerra importantes, a foto mais conhecida de Capa é a intitulada Morte de um miliciano, feita durante a Guerra Civil espanhola e publicada em 1936 na revista francesa Vu, sendo republicada no ano seguinte na Life, ganhando repercussão internacional. A imagem mostra o momento exato que um combatente é alvejado em conflito.

Esta fotografia até hoje é considerada uma das mais famosas imagens de guerra de todos os tempos. No entanto, é também uma das mais controvérsias, com longa lista de especialistas que afirmam ser uma montagem.

Há várias versões contra e a favor da imagem. A primeira dúvida sobre sua autenticidade foi levantada nos anos 70, por Philip Knightley, no livro The First Casualty, porém, quando a aparente identificação do homem alvejado aconteceu, quase 20 anos depois, as dúvidas pareciam ter desaparecido.

Todavia, o próprio Capa contribuía para as controvérsias, contando diferentes versões sobre a imagem. Certa vez, em entrevista para a WNBC, afirmou: “A foto rara nasce da imaginação dos editores e do público que vê”.

Fato é que o fotojornalista testemunhou os horrores de cinco guerras e marcou seu nome na história da fotografia. Capa morreu em maio de 1954, quando cobria a Guerra da Indochina e pisou em uma mina terrestre. Conta-se que seu corpo foi encontrado com as pernas dilaceradas, mas a câmera permanecia em suas mãos.

Homem EnfrentandoTanque na Praça da Paz (1989)

homem-enfrenta-tanquesNa manhã de 5 de junho de 1989, enquanto o Exército Vermelho controlava completamente Pequim, o fotógrafo Charlie Cole capturou uma das imagens mais marcantes do século XX: o ato de desafio, desespero e coragem do jovem que, desarmado, se colocou à frente de uma fileira de tanques blindados que se deslocavam em direção a Tiananmen.

Como o homem travou a passagem e permaneceu defronte o tanque, o blindado nada pode fazer a não ser desligar o motor. O jovem então, em outro ato desesperado, sobe ao tanque e pronuncia algumas palavras direcionadas ao condutor.

A foto capturada por Cole do alto de um apartamento foi publicada na revista Newsweek e ganhou o World Press Photo daquele ano e o Prêmio Pulitzer de 1990.

Em 1998, a revista Time, apontou o homem do tanque (o jovem nunca foi identificado) como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX e a Life classificou a imagem como uma das 100 fotografias que mudaram o mundo.

Ainda hoje, o momento eternizado por Cole é reconhecido como um ícone na luta por liberdade e paz.

Em entrevista concedida à BBC, o fotógrafo falou sobre a imagem que mudou a sua vida: “ Para o meu espanto, o tanque que vinha na frente parou e tentou contornar, mas o rapaz se colocou na frente dele de novo. Finalmente a polícia secreta o pegou e o levou consigo. Stuart e eu nos olhamos um tanto incrédulos do que acabávamos de ver e fotografar”.

Che Guevara por Alberto Korda (1960)

che-guevaraChe Guevara, o mais importante guerrilheiro da Revolução Cubana, é também o rosto estampado em uma das fotografias mais reproduzidas do mundo.

A imagem foi feita no dia 5 de março de 1960, em Havana, durante um memorial em homenagem às 136 vítimas de uma explosão em um barco na cidade. O fotógrafo Alberto Korda fazia a cobertura do evento para o jornal Revolución, veículo oficial responsável pela comunicação do governo cubano com o seu povo.

Na foto, nomeada anos mais tarde como Guerrillero Heroico, Korda registrou Che em um momento de concentração e olhar compenetrado, em pé, atrás do palanque onde Fidel Castro discursava.

Na ocasião foram tiradas duas fotografias, uma na horizontal e outra na vertical, mas nenhuma das duas foi publicada no jornal. O fotógrafo então as manteve em seu arquivo pessoal até que sete anos mais tarde, em 1967, o editor italiano Gianfranco Feltrinelli solicitou retratos do guerrilheiro a Korda, que o entregou duas cópias da fotografia. Elas foram editadas e espalhadas em cartazes quando autoridades bolivianas anunciaram a morte de Che Guevara em outubro daquele ano.

Em 1968, um ano após a morte do combatente, o artista irlandês Jim Fitzpatrick usou a fotografia para criar uma imagem em alto contraste e a registrou em domínio público. Foi então que o registro se tornou um ícone do século XX e umas das fotos mais reproduzidas do mundo.

Comunista convicto, o fotógrafo cubano nunca cobrou royalties de sua foto. No entanto, em 2000, quando uma empresa de bebidas usou a imagem em propaganda de vodka, Korda entrou com uma ação legal da qual saiu vitorioso.

O fotógrafo faleceu aos 72 anos, em 2001, vítima de um ataque cardíaco, em Paris.

Marilyn na Pacific Coast Highway

Marilyn-MonroeA beleza ímpar de Marilyn Monroe sempre atraiu muitos fotógrafos. Alguns profissionais construíram uma importante carreira e gravaram seu nome na história apenas por fotografá-la.

Normalmente, a beldade gostava de trabalhar com os mesmos fotógrafos, dos quais quase sempre se tornava amiga. Um deles foi André de Dienes que, em 1945, apaixonou-se perdidamente por Marilyn, que na época era uma jovem modelo ainda chamada de Norma Jeane.

Nos primeiros anos do romance, os dois viajavam muito juntos e Dienes a fotografava de forma bastante natural e espontânea.

A famosa fotografia de Marilyn sentada no meio da Pacific Coast Highway, foi feita em uma dessas viagens, em novembro de 1945, quando a atriz tinha apenas 19 anos.

O mais interessante é que Dienes registrou toda a ascensão e carreira de Marilyn Monroe. Nas primeiras fotos, como a da Pacific Coast, é possível ver a jovem com sua beleza estonteante e com ar inocente que pouco a pouco se transformou na mulher com um dos rostos mais importantes da história do cinema.

Marilyn morreu em 1962, precocemente, aos 36 anos. O fotógrafo André de Dienes, faleceu em 1985

Tennis Girl – Martin Elliott

Tennis-GirlDurante grande parte da história da humanidade, a liberação sexual não era uma perspectiva social possível. Os códigos tradicionais de comportamento eram rígidos e liberdades individuais que fugissem do padrão não eram bem vistas. No mundo ocidental, muitas das mudanças nesse panorama aconteceram entre as décadas de 1960 e 1970.

Foi justamente no meio dessa fase de transição, em setembro de 1976, que o fotógrafo Martin Elliott, na época estudante de fotografia da Universidade de Birmingham, pediu a sua namorada Fiona Butler, de 18 anos, para posar com roupa, raquetes e bolas de tênis emprestadas.

A imagem, nomeada “Tennis Girl”, é um ícone da liberação sexual e das mudanças da sociedade, que passava a ser mais permissiva e hostil aos padrões autoritários da época. Mais de 2 milhões de cópias da foto foram vendidas, além de várias versões criadas, inclusive uma feita por peças da Lego.

Elliot conservou os direitos de autor, mas vendeu os direitos da imagem à empresa Athena. Estimula-se que ele tenha ganhado com a imagem cerca de 250 mil euros.

Um fato curioso é que, em 2014, o vestido branco usado por Fiona em “Tennis Girl” foi vendido por 15.500 libras (aproximadamente R$ 60 mil) em um leilão na Inglaterra. No pacote também constavam a raquete usada na imagem e duas cópias originais do pôster.

Elliott faleceu em 2010, no Reino Unido, vítima de câncer.

Assassinato do Vietcong (1968)

vietnaEm 30 de janeiro de 1968, celebrava-se o início de uma data sagrada para os vietnamitas, por conta das festas do Novo Ano Lunar. Justamente nesse dia as forças conjuntas do Vietnã do Norte efetuaram um ataque surpresa em todo país, na operação que ficou conhecida como ofensiva Tet.

Em 1º de fevereiro daquele ano, no terceiro dia da ofensiva, o fotojornalista americano Eddie Adams, fotografou o momento exato da execução do capitão vietcong Nguyen Van Leme, pelo general vietnamita Nguyen Ngoc Loan.

Naquele instante, dois disparos foram feitos ao mesmo tempo: a pistola do general e a câmera fotográfica de Adams. A bala disparada à queima roupa perfurou a cabeça do vietcong e a imagem se tornou um símbolo da brutalidade das guerras.

Sobre a imagem e as críticas que causou ao general Nguyen, Adams disse: “As fotografias são ainda a arma mais poderosa do mundo. As pessoas acreditam nelas, mas elas mentem, mesmo sem manipulação. Elas são apenas meias-verdades. O que esta fotografia não disse foi: o que você faria se fosse o general naquele tempo e lugar, num dia quente, e pegasse o bandido que matou uma, duas ou três pessoas americanas? ”

Adams nasceu em 1933, na Pensilvânia, e começou a se interessar por fotografia ainda na adolescência. Quando serviu a Marinha dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (de 1950 a 1953), usou toda a sua técnica e olhar para retratar a guerra. Até o fim de sua carreira, ele esteve presente em mais de 13 conflitos.

A imagem do assassinato do vietcong rendeu ao fotojornalista o prêmio Pulitzer de 1969 e mais de 500 prêmios.

John e Yoko (1980)

john-e-ioko_OK“Por que ninguém me avisou que John seria levado embora? É nisso que penso quando vejo esta foto”. (Yoko Ono)

Annie Leibovitz, fotógrafa estadunidense conhecida por retratar pessoas famosas, não imaginava que seria dela o último registro profissional de John Lennon.

Em 08 de dezembro de 1980, a pedido da Revista Rolling Stone, Annie tiraria a foto de Lennon sozinho, mas o músico insistiu que sua esposa Yoko participasse. A sessão de fotos foi feita no apartamento onde o casal morava.

A imagem, com sua sensibilidade e profundidade, imortalizou o relacionamento de Yoko e Lennon, que seria assassinado horas depois do registro.

Drasticamente, a fotografia acabou sendo capa da edição de janeiro de 1981 da Rolling Stone, feita para homenagear o ex-Beatle. Em 2005, foi eleita pela American Society of Magazine Editors como a melhor capa de revista dos últimos 40 anos.

Em entrevista na época, Leibovitz relembrou: “John me disse: você capturou nosso relacionamento exatamente. Prometa-me que vai ser esta a capa”.

Annie trabalhou como chefe de fotografia da Rollings Stones por mais de 10 anos, sendo responsável por mais de 142 capas, mas, sem dúvida, seu registro mais marcante e histórico foi a última foto de John Lennon.

Flower Power (1967)

bernie-boston-flower-power-1967A famosa imagem do jovem colocando flores nas armas de soldados, foi tirada pelo fotojornalista Bernie Boston, em 22 de outubro de 1967, durante manifestações contra a Guerra do Vietnã em Washington.

No momento em que os cidadãos estavam caminhando em direção ao Pentágono, Bernie – que estava sentado em um local próximo – percebeu a aproximação dos soldados, que formavam um círculo ao redor dos manifestantes. Neste momento, surge um jovem no meio da multidão e começa a colocar cravos nas espingardas dos soldados. O fotógrafo captura o momento que se transformaria em símbolo do pacifismo em todo o mundo.

O interessante é que quando Bernie mostrou a foto ao editor do Washington Star, onde trabalhava na época, a imagem não recebeu grande atenção. Ele começou então a inscrevê-la em concursos de fotografia, onde ganhou reconhecimento.

A imagem, conhecida como Flower Power, é um exemplo de foto simples que, por ser tirada na hora exata e conter enorme simbolismo, ganha grande significado e torna-se especial.

Uma curiosidade é que nos anos 60, o nome Flower Power foi usado também pelos hippies como símbolo da ideia de não violência e repúdio à Guerra do Vietnã.

Barnie morreu em 2008, aos 74 anos.

O beijo do Hotel de Ville (1950)

O-BeijoEm 1950, o fotógrafo francês Robert Doisneau foi chamado pela revista Life para uma interessante missão: fazer uma série de fotos retratando os amantes de Paris durante a primavera.

Certo dia, Doisneau viu um casal se beijando e perguntou se eles poderiam repetir o beijo em outros locais para que ele os fotografasse. Assim, Françoise Delbart, com 20 anos na época, e Jacques Carteaud, com 23, ambos iniciando à carreira como atores, foram levados a três lugares distintos para que repetissem o beijo, entre eles o Hotel de Ville.

Passados mais de 30 anos após a publicação na Life, a foto foi adquirida por uma empresa de cartazes e se transformou em um dos pôsteres mais vendidos do mundo.

Em 2005, Françoise leiloou a impressão original, com assinatura do fotógrafo, que havia recebido poucos dias após a imagem ser feita. Estimava ganhar com a foto 25 mil dólares. Recebeu 200 mil.

Menos de um ano depois de posarem para as lentes de Doisneau, o casal se separou. Françoise se casou com Alain Bornet, um diretor de documentários, e Jacques Carteaud se tornou vinicultor, até sua morte, em 2004.

Robert Doisneau morreu em 1994, com 81 anos.

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Kevin Carter – “Struggling Girl” (1993)

a-criança-e-o-abutre-cópia1993, Sudão. Uma criança do sexo masculino, sem identificação, arrasta-se para alcançar um campo de alimentação montado pelas Nações Unidas. Um abutre observa a cena a menos de um metro de distância.

Kevin Carter, fotógrafo sul-africano, que também caminhava em direção ao centro humanitário da ONU, presencia a cena impressionante e clica a imagem que seria a mais famosa de sua carreira. A fotografia denunciava ao mundo a tragédia de um humano desprovido de esperança, abandonado e observado por um animal.

A foto é imortalizada na capa do New York Times, em 26 de março daquele ano e se torna símbolo da fome na África. Rende ao fotógrafo o Prêmio Pulitzer de 1994.

E os conflitos éticos começam a perseguir Carter, na vida pública e no seu consciente. A confissão de que observou a cena por um tempo, esperando o abutre abrir as asas – o que lhe daria uma imagem mais forte – tornou as críticas mais contundentes.

“Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da criança bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena”, escreve o St. Petersburg Times, na época.

Então, dois meses após ganhar o Pulitzer, em 27 de julho de 1994, Kevin estaciona seu carro à beira do rio Braamfonteinspruit, em Johannesburg, liga uma mangueira de jardim ao tubo de escape, fecha-se no carro, escreve um bilhete e, com fones no ouvido, liga o motor e morre por inalação de monóxido de carbono, aos 33 anos.

Dan Krauss, realizador do documentário The Death of Kevin Carter, vê na foto da criança e o abutre o momento em que Kevin incorporou o sofrimento da África à criança e, ao seu próprio rosto, o abutre.

Trecho do bilhete deixado pelo fotógrafo dizia: “ Sou assombrado pelas vívidas memórias de mortes e cadáveres e raiva e dor, de crianças feridas e esfomeadas, de louco que assassinam alegremente. A dor de viver ultrapassa a alegria ao ponto em que esta deixa de existir. ”

Kevin Carter viveu em seu percurso profissional o dilema com que muitos fotógrafos convivem diariamente: testemunhar os fatos ou interferir?

A foto e a trajetória de Carter nos questionam sobre a responsabilidade das imagens e nos lembram que antes de profissionais somos, sobretudo, humanos.

Trabalhadores do arranha-céu

trabalhadores-almoço-cópiaEm 20 de setembro de 1932, enquanto trabalhadores almoçavam casualmente, sem nenhum tipo de segurança, no topo dos 69 andares do RCA Buiding, no centro Nova York, Charles C. Ebbets fotografou a imagem considerada uma das mais icônicas do século XX, intitulada: “Almoço no topo de um arranha-céu”.

A fotografia, publicada em 2 de outubro daquele mesmo ano, no jornal New York Herald Tribune, levantou na época suspeita de montagem, principalmente por causa do alto risco em que os operários se encontravam.

Durante muito tempo a identidade do fotografo não foi revelada. Antes da década de 50, nos Estados Unidos, noventa por cento das notícias eram arquivadas sem crédito. Apenas em 2003, Ebbets foi reconhecido como autor da fotografia.

A agência de imagens Corbis é a dona do negativo de vidro usado para as reproduções da imagem e a mantém em uma base subterrânea na Pensilvânia, junto com diversas fotos históricas.

No aniversário de 80 anos da fotografia, em 2012, atendendo ao pedido do jornal The Telegraph, Ken Johnston, diretor de fotografia da Corbis, analisou o negativo e afirmou que a imagem não é uma montagem. “Quando você tem um negativo de cópia, geralmente você consegue ver a borda da cópia por trás, e geralmente teria clipes, porque você faria uma cópia de outra fotografia. E eu não vejo nada disso aqui. Este é o negativo original”, disse na época.

Londres – Por seus habitantes

Telephone-Row-Lincoln´s_OKHoje, o Universo em Foto apresenta um bonito e diferente projeto fotográfico. Desde 2012, o Café Art de Londres desenvolve iniciativas para integrar os moradores de rua à sua cidade e uma das últimas novidades de seus organizadores foi distribuir 100 câmeras descartáveis, para que os que vivem nessa situação de rua registrassem a cidade sob sua ótica. Os participantes tiveram treinamento sobre o equipamento e dicas básicas de fotografia, fornecidas pela Royal Photographic Society.

O resultado foi mais de 2.500 fotos capturadas nas 80 câmeras que retornaram! A diversidade e criatividade das imagens é impressionante: teve de tudo, de pessoas e animais a contrastes entre o clássico e o moderno.

20 imagens foram selecionadas pela Fujifilm, revista Amateur Photographer, London Photo Festival, Christie´s e Homeless Link, para exposição e votação das que irão compor o calendário Café Art.

Toda renda arrecadada com o projeto será revertida para o próprio, com ações como impressão das fotografias, cachê para os moradores de rua, compra de materiais de arte para as pessoas nessas condições e incentivo para que frequentem cursos de arte.

As imagens são lindas! Vale a pena conferir: http://cafeart.org.uk/photography-contest/2015-cafe-art-photography-exhibition-2/

Serra Pelada – Por Sebastião Salgado (1986)

sebastião-salgado“Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não tem como presenciar o que acontece”. (Sebastião Salgado)

Sebastião Salgado é um dos fotógrafos brasileiros de maior prestígio internacional. Radicalizado na França, o mineiro, nascido em Aimorés, é reconhecido mundialmente como um dos mestres da fotografia documental contemporânea.

Alguns de seus trabalhos, repletos de engajamento social, foram reunidos em livros e exposições. Salgado já recebeu praticamente todos os prêmios de fotografia do mundo.

Um dos registros fotográficos mais marcantes do brasileiro, foi feito na década de 1980, na exploração de ouro no Garimpo Serra Pelada. Situado no município de Curionópolis, no estado do Pará, Serra Pelada era até então o maior garimpo a céu aberto do mundo. No auge da exploração, estima-se que havia mais de 80 mil garimpeiros vindos de todos os estados brasileiros trabalhando no local.

Muitos registros foram feitos em Serra Pelada, mas nenhum teve tanto destaque no Brasil e no exterior como os de Sebastião Salgado.

“Quando cheguei, a sensação foi muito forte. O que senti foi como se eu estivesse escutando o ouro na alma das pessoas”, disse o fotógrafo sobre a experiência no garimpo.

O compilado de imagens feitas por Salgado em Serra Pelada pode ser encontrado no livro Trabalhadores, lançado no Brasil em 1997. A obra levou sete anos para ser concretizada e reúne 350 fotos de trabalhadores de várias partes do mundo.

Muito além da captação da imagem, o trabalha do fotógrafo brasileiro é repleto de sensibilidade. Seus registros de Serra Pelada nos chocam, nos confrontam e nos emocionam.

Albert Einstein mostrando a língua (1951)

albert-einstein_OKOKQuem imaginaria que a foto símbolo de Einstein, uma das mentes mais brilhantes da humanidade, fosse justamente a imagem em que ele aparece mostrando a língua?

A fotografia – feita por Arthur Sasse – foi tirada no dia 14 de março de 1951, no aniversário de 72 anos do cientista. O fotógrafo teria pedido que Einstein sorrisse e ele, irritado com a perseguição constante da imprensa, mostrou a língua rapidamente. Sasse, atento como todo bom fotógrafo, aproveitou a oportunidade e clicou na hora exata. O resultado foi uma das fotos mais influentes da história.

É essa a imagem que nos vem à mente quando pensamos no criador da Teoria da Relatividade. Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1921, além de ser eleito pela Revista Time, a personalidade do século XX. E sua mais famosa fotografia o transformou em um ícone da cultura pop.

A foto tornou-se tão popular que foi reproduzida amplamente em diferentes versões, para produtos, pôsteres e adesivos. A imagem original foi leiloada por U$72.300,00, sendo a mais cara fotografia de Einstein já vendida.

O grande diferencial do retrato feito por Sasse é que ele contrapõe a forma com que as pessoas viam o cientista. Uma única imagem criou a visão do gênio, bem-humorado e descontraído Albert Einstein.

Inspire-se!

Todo bom fotógrafo, além de estar em constante aperfeiçoamento do olhar e das técnicas fotográficas, deve possuir referências. Conhecer o trabalho e as particularidades de outros profissionais que marcaram a história, além de ser inspirador, amplia a visão sobre as possibilidades que podem ser criadas com a fotografia.

Por isso, criamos no blog o espaço “Bastidores da Imagem”, para que você leitor conheça um pouco mais do trabalho e das curiosidades de personagens e fotógrafos que transformaram imagens em verdadeiros símbolos universais.

Iniciaremos contando um pouco mais sobre Iain MacMillan e os Beatles na Abbey Road. Inspire-se!

Em 1969, os Beatles lançavam Abbey Road. O disco, além de ser um dos mais importantes álbuns de rock da história, traz em sua capa uma imagem épica: Paul, Lennon, Harrison e Ringo atravessando a faixa de pedestres da rua de Londres que dá nome ao disco.

A foto, feita pelo fotógrafo Iain MacMillan, tornou-se um ícone da cultura pop mundial.

Iain já conhecia os Beatles, por ser amigo de Yoko Ono. Foi então chamado para fotografar o que seria a capa do último disco gravado pela banda.

Em 8 de agosto de 1969, manhã de verão em Londres, policiais fecharam a rua para a realização das imagens. Iain tirou seis fotos, em cerca de quinze minutos, enquanto os músicos andavam pela Abbey Road.