031005 What If Carmen Miranda - Henrique Steyer (GG)

What If? Carmen Miranda – Henrique Steyer

Por que existem tão poucos negros ocupando posição de poder em nossa sociedade? E se nossas principais referências fossem negras?  Foram estes questionamentos que inspiraram o designer Henrique Steyer a criar a série What if? (E se? Em tradução literal). As obras apresentam personalidades, artistas e chefes de estado brancos, com a pele pintada de preto.

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Matias e o boneco Finn/ Reprodução internet

A série nos impressiona pela originalidade e beleza estética, mas sobretudo nos convida a pensar: e se todos os padrões de beleza que costumamos reconhecer na verdade não existissem?

031018 What If Wonder Woman - Henrique Steyer (GG)

What if? Wonder Woman – Henrique Steyer

Um exemplo da importância de toda pessoa se sentir representada aconteceu no início deste ano, quando a historiadora Jaciana Melquiades comoveu as redes sociais ao postar a foto de seu filho Matias, de apenas 4 anos, ao lado do boneco Finn, de Star Wars – O despertar da força. O boneco – representação do personagem negro – fez com que o menino se espelhasse, mesmo ser ter assistido ao filme.

E é exatamente sobre essa representatividade que trata What If? Quando nos mostra, por exemplo, a mulher maravilha negra, a série sugere que a cor de pele não deve ser um requisito para que as pessoas – sobretudo crianças e jovens em formação de identidade – sintam-se belas e representadas.  A carência de personalidades negras em cargos de destaque, principalmente na política, nas artes e na mídia, faz com que nos acostumemos com um padrão que na verdade não existe ou não deveria existir.

031012 What If Superman - Henrique Steyer (GG)

What if? Superman – Henrique Steyer

A ideia para a série What If? surgiu quando Henrique estava em um éden natural banhado pelo mar do Caribe, na República Dominicana. Hospedado em um resort que recebe visitantes de todos os cantos do mundo, ele começou a prestar atenção no Royal Service do lugar, onde uma casta abonada de brancos era servida incansavelmente por uma equipe de negros, muitos deles oriundos do Haiti ou de países africanos. A situação se tornou desconfortável quando percebeu que alguns desses brancos endinheirados tratavam os funcionários do local como se fossem robôs, maquinas de servir.

A partir de então Henrique começou a se questionar: em que ponto de nossa história antiga se estabeleceu que havia uma raça superior à outra? Que espinho é esse cravado em nossa sociedade que até hoje não foi arrancado?

“Negros podem alisar os cabelos, pintar de loiro, usar lente de contato…tudo porque a mídia e a indústria fazem parar interessante ser branco. E o processo inverso? Como funcionaria? Não há nada de degradante nisso. Uma ferida aberta na história da humanidade que parece não cicatrizar. Um assunto tão ultrapassado e que ainda persiste, comprovando o quanto ainda somos primitivos e me fazendo, por vezes, ter vergonha do mundo em que vivemos”, diz Henrique.

E completa: “Infelizmente, nossa cultura ainda acha bonito ser branco e caucasiano. O negro continua associado ao período escravagista e cabe a nossa geração mudar isso. Urgentemente”.

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