a-menina-afegãCom a imagem que ficou conhecida como “A menina afegã”, o fotógrafo americano Steve McCurry elevou a fotografia a seu ponto auge: transformou um rosto desconhecido em familiar. Deu voz, contexto e notoriedade para todo um povo através de uma única imagem. A foto tornou-se um símbolo do conflito afegão e da situação dos refugiados ao redor do mundo.

Mesmo que você tenha visto apenas uma vez a fotografia de McCurry, o olhar da menina afegã, provavelmente, tornou-se familiar e ficou guardado em sua memória.

Durante a guerra soviética no Afeganistão, muitos órfãos tiveram que migrar para um campo de refugiados no Paquistão. Entre eles, estava Sharbat Gula, de aproximadamente 12 anos.

McCurry foi um dos fotojornalistas enviados para cobrir o conflito da região. Diante da rara oportunidade de fotografar mulheres afegãs, ele registrou o retrato de uma jovem com olhos de um verde marcante: Sharbat Gula.

Gula ficou órfã durante o bombardeio da União Soviética no Afeganistão e foi então enviada ao campo de refugiados Nasir Bagh, em 1984, ano que a fotografia foi tirada. A imagem foi capa da edição de junho de 1985 da National Geographic e se tornou a fotografia mais famosa da história da revista.

Espantosamente, a identidade da garota fotografada permaneceu anônima por quase vinte anos, quando finalmente uma equipe da NatGeo iniciou uma busca e reencontraram Gula.

A confirmação da identidade proporcionou um encontro entre ela e McCurry, que fez o seu retrato mais uma vez. Foi a primeira vez que Gula visualizou sua imagem fotografada. A afegã já estava com mais de 30 anos.

Em entrevista para a National Geographic, McCurry falou da foto que o tornou conhecido no mundo todo:

“Nunca decidi ser um fotografo de guerra, mas tenho enorme interesse no modo como os conflitos afetam as pessoas. Não importa o lugar, nossa reação é a mesma: sempre somos capazes de nos recuperar. Está na natureza humana seguir em frente. Não há como prever uma foto assim. Às vezes a gente trabalha um mês inteiro e não consegue nada. Mesmo depois de tanto tempo de profissão, ainda não sei como captar uma imagem que fique gravada na memória coletiva. Tudo o que faço é seguir minha intuição.”

Comentários estão fechados.